#2
janeiro 21, 2010
- So, what have you got now?
- Physics.
- Oh, too bad. Do the Tarantino!
- What?
- Do the Tarantino. You know who he is, right?
- Uh.. yeah.
- You don’t know who Tarantino is?
- I do.
- He is the director of Inglorious Bastards, Kill Bill, Reservoir Dogs, Pulp Fiction (…)
- -______-
- -______-
The Big Question is: what’s the point?
10 things I hate about you.
janeiro 14, 2010
#1
- So you’ve listened to Spoon’s new album.
- Yeah.
- It’s really good, isn’t it?!
- Yeah.
- Don’t you think that ‘Who Makes Your Money’ sounds like a Prince song?
- What? Dunno. I don’t know the songs’ names yet. I mean, first I listen to it and all I care about is if the music is good or not. Then I’ll worry about knowing it’s name. And I don’t really listen to Prince’s songs.
- Oh. I see.
My inner asshole screams: DÉCRISSE!
O frases de mini-livro de Caio F.
dezembro 18, 2009
Eu e morcego conversávamos e Caio F. bateu na porta. Coloquei meu chá de lado, deixei-o entrar e falar. Alguém na sala fez uma compilação de algumas coisas que por ele foram ditas. Selecionei algumas frases que dizem o que eu não seria capaz de expressar em palavras.
“Será que, à medida que você vai vivendo, andando, viajando, vai ficando cada vez mais estrangeiro? Deve haver um porto.”
“Ando meio fatigado de procuras inúteis e sedes afetivas insaciáveis.”
“Tô exausto de construir e demolir fantasias. Não quero me encantar com ninguém.”
“Mas sempre me pergunto por que, raios, a gente tem que partir. Voltar, depois, quase impossível.”
“Tenho uma vontade besta de voltar, às vezes. Mas é uma vontade semelhante à de não ter crescido”
“… tenho uma coisa apertada aqui no meu peito, um sufoco, uma sede, um peso, não me venha com essas história de atraiçoamos-todos-os-nossos-ideais, nunca tive porra de ideal nenhum, só queria era salvar a minha, veja só que coisa mais individualista elitista, capitalista, só queria ser feliz, cara.”
“É difícil aprisionar os que têm asas”
“Seria tão bom se pudéssemos nos relacionar sem que nenhum dos dois esperasse absolutamente nada, mas infelizmente nós, a gente, as pessoas, têm, temos – emoções.”
“Fico vivendo uma vida toda pra dentro, lendo, escrevendo, ouvindo música o tempo todo.”
“Penso: quando você não tem amor, você ainda tem as estradas.”
“Tudo isso me perturbava porque eu pensara até então que, de certa forma, toda minha evolução conduzira lentamente a uma espécie de não-precisar-de-ninguém. Até então aceitara todas as ausências e dizia muitas vezes para os outros que me sentia um pouco como um álbum de retratos. Carregava centenas de fotografias amarelecidas em páginas que folheava detidamente durante a insônia e dentro dos ônibus olhando pelas janelas e nos elevadores de edifícios altos e em todos os lugares onde de repente ficava sozinho comigo mesmo. Virava as páginas lentamente, há muito tempo antes, e não me surpreendia nem me atemorizava pensar que muito tempo depois estaria da mesma forma de mãos dadas com um outro eu amortecido – da mesma forma – revendo antigas fotografias. Mas o que me doía, agora, era um passado próximo.
Não conseguia compreender como conseguira penetrar naquilo sem ter consciência e sem o menor policiamento:eu, que confiava nos meus processos, e que dizia sempre saber de tudo quanto fazia ou dizia. A vida era lenta e eu podia comandá-la. Essa crença fácil tinha me alimentado até o momento em que, deitado ali, no meio da manha sem sol, olhos fixos no teto claro, suportava um cigarro na mão direita e uma ausência na mão esquerda. Seria sem sentido chorar, então chorei enquanto a chuva caía porque estava tão sozinho que o melhor a ser feito era qualquer coisa sem sentido. Durante algum tempo fiz coisas antigas como chorar e sentir saudade da maneira mais humana possível: fiz coisas antigas e humanas como se elas me solucionassem. Não solucionaram.”
‘Brigadão, Caio F. .
Praticando a onisciência e a onipotência.
dezembro 8, 2009
Sentai, prestai atenção e acalmai-vos, que será dito algo a ser compreendido.
Mais de uma vez vistes placas pelo caminho que afirmavam que o trajeto que fazíeis era o errado. Pacientemente, encontrastes atalhos para os bons caminhos – alguns com espinhos e montanhas a escalar – que logo tornaram-se maus caminhos, eu sei. O que não percebestes até agora é que sempre andastes no escuro. Sempre a tatear, a julgar ser luz o que eram somente vagalumes. Já não há mais tanto tempo, ainda que sejais de relativa pouca idade. Agora mais que nunca, o tempo corre e tendes que agarrá-lo. Há apenas um caminho. Parai de andar por um instante, e fazei teu plano. À alvorada, começareis a pô-lo em prática. Tereis que sacrificar algo no percurso, o sabes. Tereis que ter sempre em mente o objetivo, que desta vez deverá ser claro. Para que saibas se estais à claridade, refleti e observai – já que sois dos que observam – quantos detalhes do plano tendes capacidade de ver, sendo os essenciais: as etapas e as dependências – o número de pessoas das quais dependeis é inversamente proporcional às chances de sucesso. Como já disse, começarás à alvorada. Durante a madrugada, tendes de descobrir quem serão teus companheiros. E a eles recorrereis quando cairdes. À mim recorrereis quando já não houver esperança.
Espero que a mensagem tenha sido bem compreendida.
Deus.
No consultório ou Lembrete
novembro 16, 2009
Então morcego, resposta completa nível Fudest pra sua pergunta (só pra entrar no clima – ou não).
Eu gosto e não gosto dessa história de fincar os pés aqui. Existem coisas aqui das quais eu gosto, outras que dispenso, assim como coisas daí que eu não vivo sem.
Há muito pouco tempo eu parei de sentir a dor da falta. Explico: ver uma foto ou ler algo escrito já não traz lágrimas pra esses olhinhos, ao menos não imediatamente. Eu passei a ver esse tipo de coisa com um sorriso, porque fico feliz de ver e sentir que mesmo sem ter o contato de antes, a minha relação e o meu sentimento em relação à algumas pessoas estão intactos. Com você, com C. , com G., é a mesma coisa. Até com I., à quem eu ignoro achando graça e que ainda se crê muito minha amiga.
Eu abro um sorriso quando eu olho pra trás, especialmente pra 2007. Por tudo o que tive a chance (considere em francês, polissêmico de sorte) de viver. Não digo o mesmo pra 2008 e o primeiro semestre de 2009, você sabe que foi foda. É uma parte da minha vida que, seu eu pudesse, apagava. É uma comparação besta e clichê, mas é meio aquela história da transformação da borboleta. Antes de sair do Brasil, lagarta, aquela coisa gordinha que só come, aproveita tudo ao redor. Aí vem o casulo e as transformações, difíceis, incômodas. Eu diria que essa parte foi aquele semestrezinho antes de sair. Daí pra frente, é só saindo do casulo. Dor, dor, dor, dor e dor. Depois disso, é secar-se ao sol, aproveitando. Pra voar e recomeçar o ciclo. Pegou a metáfora?
Eu estou querendo me esticar ao sol agora, aproveitar, viver.
Não me vejo morando em São Paulo, pelo menos não agora. Eu não consigo pegar trânsito, estraga meu dia e me estressa de um jeito inimaginável. Sinto falta de um milhão de coisas que só São Paulo tem. Da nossa pizzaria de estimação, do delivery de absolutamente tudo, da combinação feira+caldo de cana, de tudo funcionando 24h, de andar de carro e saber onde eu estou de olhos fechados, de não encontrar alguém sempre que eu saio, da Brasil 2000, da Eldorado, da Nova, do cheiro de chuva. A lista é enorme, quase toda feita das pequenas coisas das quais eu e você gostamos tanto.
Em contrapartida, o trânsito da 23 e da Paulista e de todas as outras artérias da cidade em tempo quase integral me irrita só de pensar. Saber que não, eu não vou poder sair com a minha máquina porque é loucura (onde já se viu?!), assim como ter receio de que qualquer um pode ser um assaltante, batedor de carteira ou coisa pior me incomoda. Eu não me esqueci que São Paulo não é só Paulista e Jardins, tudo sempre muito funcional e bonito. E se for pra viver a minha cidade, eu quero que seja por inteiro.
É possível que eu volte. Talvez depois de acabar a faculdade, talvez na hora de educar os filhos (em português, ralando tudo o que nós ralamos), talvez pra envelhecer na praia. Em todos os casos, correndo atrás da minha felicidade. Estou tentando fazer isso aqui, agora, mas se de repente, não mais que de repente, ela decidir pegar um vôo e voltar pra o lugar de onde ela veio, eu sigo.
“Tenho uma vontade besta de voltar, às vezes. Mas é uma vontade semelhante à de não ter crescido”
Caio F.
