Acho que eu ainda não consegui deixar de pôr as coisas em caixas. Como se não bastasse guardar objetos do meu passado nelas, agora eu coloco pessoas (reparou na coisificação das mesmas, né?).
Parece que aquelas pessoas do meu passado que eu quero guardar longe dos olhos e perto do coração estão ali, numa caixinha. De vez em quando uma delas chuta, emite um som dizendo “Ei, estou aqui. Você ainda se lembra de mim?” e eu, sem saber o que lhe dizer, apenas passo reto, deixo pra depois, morrendo de medo que a consideração que essa pessoa tem por mim sublime, como naftalina num guarda-roupa.
Eu me sinto incapaz por isso. Eu vejo que o carinho da pessoa está ali, e sei que se eu estivesse no lugar dela, não dirigiria uma palavra sequer à mim, depois de três meses sem resposta alguma à um coração aberto.
Me olho no espelho, digo com a boca cheia que não valho a pena e, mesmo assim, passo reto pela caixa ali, arrumadinha, que continua emitindo som.

Deveria chamar isso de covardia?

- estamos vendo todas as temporadas outra vez.
- todas? get a life!
- pra fazer o que com ela?

*
- não agüento mais esse friozinho. já era pra estar quente!
-  e que diferença faz?

*

- cara, não dá mais pra ficar perto da minha irmã, sério. falta muita cultura!
pensamento: porque você é muito culto.

*

- bla…bla…bla…bla…bla…bla…
- você j­á parou pra pensar que podem haver 2 covardes nessa história, 3 comigo?
- como assim?
- um que nao fala o que pensa, outro que já falou e cansou, e outro que só assiste pra não viver a própria história?

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Oh deus, estou amando NY.
Prédios que passam dos três andares (e passam muito), pelo menos 3 buzinas por segundo, farol por todo o canto, muitos e muitos letreiros, gente comprando, frio, ruas abarrotadas, cheiro de monóxido de carbono partout!
Saí sendo fugida disso, e quando tudo o que eu quero é voltar, me aparece NY. Nada de Francês! Até agora, Inglês o tempo todo, claro; algumas poucas palavras de tequieromiero e várias palavras em italiano, a língua mais bonita do mundo depois do português. E aliás, tinha um italiano autêntico na Times Square, falando em italiano autêntico com eu amigo também italiano autêntico. E pra melhorar o quadro, o cara ainda tinha uma bengala, que, obviamente, foi fruto de uma queda no pólo. Porque o pólo? Porque italiano quando se machuca é príncipe, e todo mundo sabe que príncipes só se machucam assim.

Grazie mille, chinaski!

1) Escreva sobre alguma coisa sobre a qual você não sabe e BUM! O Google te explica.

2) Seu serviço de e-mail não manda mensagens dia-sim dia-não pra te mostras as novíssimas novas novidades do novo gtalk.

3) Me permite uma semi-viagem para um dos lugares que eu mais gosto no mundo, onde não vou sempre porque as asas são de Rouxinol e não de Condor Andino.

Amém.

Tem certas coisas que só acontecem em São Paulo.  A pipocação dos prédios muda o jeito de viver do paulistano.  Quando o paulistano é um paulistaninho, ele não pergunta aos amigos “onde fica a sua casa”, e sim “onde é o seu prédio”. Quando tem jogo, a inimizade de palmeirenses, corinthianos e são-paulinos se revela, especialmente se eles coabitam um edifício. Os “chupa porcadaaa/bambizadaaaa/z-éleeeeeee” das quartas-feiras definem se nos próximos sete dias o seu elevador vai parar em quase todos os andares ou se um determinado vizinho vai segurar o elevador pra você na garagem.

Tem certas coisas que só acontecem em São Paulo.

Esse Rouxinol é excepcional: ele escreve. Se faz lido, e passa boa parte de seus dias pensando sobre a vida (alheia). Lê pensamentos, escuta conversas em ônibus e metrôs e dá pitaco sobre todas elas.

 

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