Bloqueio Literário
Novembro 28, 2006
Lia Winter pediu pra eu fazer uma lista do meu bloqueio literário, só que eu não li muitos livros porque isso é um tanto quanto difícil pra mim e coisa e tal, mas aqui vai:
- Herman Melville, Moby Dick
Não, não e não, esse eu não tento ler nunca mais.
É grande como uma bíblia, é chato (pior que José de Alencar), todo mundo sabe o que acontece no fim e o parente do Moby enche linguiça demais.
- José de Alencar
Socorro, nunca mais leio um livro do homem.
Chega de detalhes! Só fala de mulehr também! Precisava dizer que a pele da Cecília era alva como o luar ao pousar sobre as folhas virgens da mais intocada floresta, onde vivem os índios mais belos com a pele cor de jambo e os cabelos lisos como crina de cavalo? Diz logo que era ela uma patricinha branquela!
- Anne Frank
Eu sei que ela fez um livro só, e que a história dela e de milhares de judeus é tocante e coisa e tal, mas ela escreve muito mal, só reclama da vida e todo mundo sabe o que aconteceu no fim. Mas eu não gostaria de estar no lugar dela.
E agora eu preciso indicar cinco pessoas pra fazerem a mesma coisa.
Eu vou perguntar pra Ana Paula, enquanto isso, Celso Bessa, Terramel, Rivaldo e Francine estão convidados a fazer isso.
É isso minha gente, até.
O enxerido #2
Novembro 13, 2006
Uma coisa ninguém sabia que eu tenho: a capacidade de saber o que os outros pensam.
Hoje eu vi uma menina que pensava no afastamento que ela teve de uma das amigas.
Ela queria saber o que a amiga faria da vida quando as duas deixassem de se ver, se uma sentiria falta da outra, se a amiga dela se preocuparia em manter contato. No fundo, ela sabia que a amiga tinha se cansado de todas as críticas, de toda a falta de apoio, de todos os foras seja lá o que for isso que não deveria ter dado, e que a amiga viveria muito bem sem ela a partir daquele dia. Eu não sei o nome desse sentimento. Não é inveja, não é ciúme, não é arrependimento.
Logo depois, eu fui falar com a Ana Paula sobre isso tudo, e ela disse que provavelmente a menina que tava sentindo aquilo tudo estava certa, e que a amiga dessa tal menina devia estar com o que ela chama de “saco cheio combinado com saudade prematura” Não me peça para explicar os diagnósticos dessa quase psicóloga.
Enfim, qual é o sentimento?
O enxerido #1
Novembro 8, 2006
Engana-se quem pensa que passarinho não pega carona em ônibus.
Voar por longas distâncias cansa, e muito, porque eu tenho que vencer a força da gravidade, seguir o vento, bater as asas freneticamente e ainda por cima agüentar meu coração batendo a sabe-se lá quantas vezes por minuto. Vocês humanos têm a facilidade de sair andando por aí, e é muito mais fácil do que ficar dando aqueles pulinhos ridículos de passarinho.
Então, hoje eu peguei carona no ônibus, e fiquei um tanto quanto decepcionado… Uma garota dizendo para a outra que não agüentava mais as seis aulas de exatas (depois eu pergunto pra Ana Paula do que se trata – D.E.P.P.A.P.D.Q.S.T.) que ela tinha, e que teria no sábado, que depois da prova da Fuvest (D.E.P.P.A.P.D.Q.S.T. #2) ela só ia fazer as aulas de biológicas (D.E.P.P.A.P.D.Q.S.T. #3) já que o negócio dela é psicologia mesmo. Só que eu fiquei pensando: o que leva alguém a pagar um cursinho sendo que não vai fazer várias aulas, sendo essas aulas as mais importantes, segundo a amiga dela?
Não deveria haver um cursinho só de exatas, seja lá o que for exatas? Ou um cursinho de biológicas, seja lá o que for isso também? Se não, as escolas poderiam seguir as idéias de Platão: condicionar a criança desde pequena, explorando as áreas em que ela se dá melhor e aprimorando as mesmas, e fazendo com que ela se torne um profissional capacitado e apaixonado pelo o que faz. Seria tudo muito mais fácil!
Eu adoro as idéias desse cara, acho que tenho uma paixão platônica. Seja lá o que for isso.
Conversa #3 – A maçã e a semente.
Novembro 1, 2006
- Olha eu aqui outra vez!
- Oi.
(foi o “Oi” mais seco que eu já escutei. Depois veio o silêncio)
- Você tá brava por ontem, né?
- Não, mas você foi idiota, isso foi.
- Bom, deixa estar. Tá tudo bem?
- Mais ou menos…
- Por que?
- Terminamos.
(nessa hora o pior dos sentimentos correu por minhas veias)
- Eu te disse que ele era um idiota.
- O pior de tudo não é nem o fato de a gente ter terminado, e sim de o de você ficar feliz com isso!
- Ah, mas… é… tá. Foi mal.
- Quer um chocolate?
- Tá querendo me matar, é?
- Ai, desculpa, esqueci que você não pode! Toma aqui essas sementes de girassol.
- Como você consegue ser tão gentil comigo depois de eu ter sido tão egoísta?
- Não sei… Acho que eu sou paciente com você. Animais não pensam…
- O QUÊ?
- Erm… Nada, deixa.
- Lógico que pensam! O que você acha que eu pensei quando vi que o Luladrão tá no governo outra vez? O que você acha que eu pensei quando me senti um egoístazinho? E o que você acha que eu pensei quando sujei aquele assaltante?
- HAHAHA, você tem sujado as pessoas por aí?
- Só quem merece, hehe. Quer semente de girassol?
- Blergh, não gosto. Mas aceito uma maçã.
- Aquela lá?
- Uhum.
- É pesada, mas eu pego se você me fizer um favor.
- Manda.
- Faz um desenho daqui?
- Daqui onde?
- Daqui, onde a gente está. A figueira e a janela.
- Tá. Só isso?
- É, você faz?
- Claro!
- Oba!
Falando nisso, ilustrações legais no Celso Bessa Post Its e no Traços&Troços .
Olha aí o desenho que ela fez:
