reflexãozinha.
Janeiro 10, 2009
- Ok, o que compramos pra ele?
- Eu ouvi um cara muito bom esses dias, acho que ele ia gostar se a gente comprasse o cd, combina com ele.
- Cd? Mas ele baixa tudo da internet!
- .-.
Esse argumento desencoraja mas não convence. Um presente, comum, barato ou inesperado (entenda inesperado por não-quase-encomendado) continua tendo o seu valor quando é comprado com a intenção de dar ao menos alguns minutos de felicidade.
Não são os algarismos que trazem o valor real das coisas.
My turn
Janeiro 3, 2009
Todo mundo falando do Obama, eu vou falar também.
Eu nao coloco muita fé no governo dele nao.
Convenhamos: ele nao veio do Texas, o pai dele nao foi presidente, ele nao parece ser menos inteligente que uma esponja do mar e até agora nenhum iraniano jogou um sapato nele. Mas as bases da vitória dele estao firmadas desde que o Morgan Freeman salvou o mundo em Impacto Profundo e de quebra interpretou deus em Todo Poderoso. Seu Barack nao foi o primeiro negro a ser chefe do Tio Sam, e só se aproveitou da propaganda da melanina.
Já se queimou – sem trocadilhos ¬¬ – comigo quando mostrou apoio à Israel, e como sempre, a tendência é piorar…
Eu acho que a guerra no Iraque continua, que a desculpa dessa vez vai ser pior, que a economia vai pro saco e que o pessoal da Casa Branca vai continuar achando que kyoto é sinônimo de temaki. Quem tá comigo?
Balanço
Janeiro 2, 2009
2008 não foi fácil, ponto.
Logo no começo do ano eu recebi uma notícia que virou minha vida de cabeça pra baixo. Por mais que eu esperasse, não foi legal.
Foi muito choro, muita tristeza, muita saudade antecipada. Como eu cheguei a dizer: “É como se eu estivesse com uma doença terminal, como se eu fosse viver tudo o que eu gosto de viver (inclusive as pequenas coisas) pela última vez”.
Eu tive que trocar a convivência com pessoas que eu conheço, admiro e amo pela convivência com algumas das pessoas mais burras, chatas, mesquinhas e egoístas que eu já vi nessa minha breve vida.
Em um dos meus primeiros dias longe de casa eu saí pra conhecer a vizinhança, sem companhia. Enquanto eu esperava pra atravessar a rua, dois metidos a skatistas vieram me pedir informação sobre não sei o que. Não entendi o que eles falaram e nem sabia dizer “AHN???”. O resultado foi uma zoação da minha cara. Simples assim. Os dois pararam no meio da rua e começaram a rir da minha cara porque eu não falava a língua deles. Minha vontade de atacar, chorar e voltar foi escondida por uma lembrança de alguém me dizendo que eu era “uma das pessoas mais fortes que eu já conheci”.
Foram várias as situações em que eu não sabia me expressar, mas em nenhuma a humilhação foi tanta.
Somente depois de 10 meses a cólera de estar longe começou a passar. Só agora, veja só. Não acho que foi por esse espírito de Ano-Novo que contagia a todos.
Olhando pra os quase seis meses de mudança definitiva, eu vejo que meu crescimento não será visto nesse ano ou no próximo.
É provável que em cerca de três anos eu terei aprendido a lidar com distância. Terei quatro línguas fluentes (o português, lindo e materno; o inglês, lindo; o francês, por via das circunstâncias e o espanhol, por convivência com Los Chicanos. As Grandes Pessoas ficarão comigo pelos próximos três, trinta, sessenta anos.
Eu vou ter que fazer de 2009 um ano de paciência, dedicação e aprendizado.
Eu quero que o meu sorriso não seja uma máscara e que o meu olhar deixe de ser tão opaco.
Eu quero fazer 2009 valer a pena.